Parabéns ao aluno Mateus
 Gonzalez de Freitas pela 
vitória no Campeonato 
de Shogi do Grande ABC:

O Shougi (ou xadrez japonês) é a versão japonesa do Chaturanga, o “xadrez” indiano que inspirou o nosso jogo ocidental. No Shougi, mudam-se as peças, o sistema de promoção de peças e o tabuleiro, que passa a ter nove casas verticais e horizontais. Mantém-se, apenas, o objetivo, que é capturar o Rei.

Os jogadores do Shougi são classificados em diferentes níveis que só podem ser mudados após a conquista do primeiro lugar no Campeonato Brasileiro. São estes: primeiro grau (iniciante), segundo e terceiro grau (intermediário), quarto, quinto e sexto grau (profissional). Não há, no Brasil, jogadores vivos acima do sexto grau.

Eu iniciei minhas atividades no Shougi por volta de 2009, em julho, quando fui apresentado ao mestre Napoleão Nakano, ex-vice-campeão mundial de Shougi ex-vice-presidente da Associação Brasileira de Shougi, tendo sua sede em São Paulo, mais especificamente, na Liberdade. O mestre Nakano seguiu instruindo-me no Shougi desde então.

Comecei a treinar com ele e no mesmo mês fui participar de um campeonato regional, o Grande ABC Shougi Meijin-sen, em português, “Campeonato de Shougi Grande ABC”. Não obtive nenhuma vitória nesse campeonato, visto que jogava a menos de um mês, mas acabei conhecendo outros jogadores, dentre eles o falecido mestre Makita e o Shibata sensei: dois jogadores que acabaram influenciando muito meu estilo de jogar.

Treinei por mais alguns meses e, em novembro de 2009, participei do Campeonato Brasileiro de Shougi, obtendo segundo lugar na categoria de primeiro grau. Logo em fevereiro de 2010 fui participar de outro Campeonato Brasileiro. Como não havia jogadores da categoria de primeiro grau para competir comigo, tive de jogar com os competidores de segundo grau e meu desempenho não foi tão notável, obtendo o quinto lugar.

Em julho de 2010 participei novamente do Campeonato do Grande ABC e, desta vez, obtive primeiro lugar na categoria de segundo grau, com todas as vitórias e nenhuma derrota.

Após esse evento, não pude mais participar dos campeonatos de Shougi, pois sofri um acidente e tive alguns problemas para ir à Associação Brasileira. Em 2011, o mestre Nakano acabou adoecendo e, em julho, faleceu. Com a perda de um grande mestre, a Associação Brasileira de Shougi adiou o Campeonato do Grande ABC, entrando em luto por cinquenta dias.

Participei do Campeonato do Grande ABC, em outubro, e obtive, novamente, a classificação de primeiro lugar, minha mais recente vitória. Com a perda do mestre Napoleão Nakano, um dos profissionais de São Paulo, Matsumoto Hideyuki, decidiu continuar seu trabalho de instrução e passará a treinar-me para os próximos campeonatos. Acredito que ao final de novembro, haverá mais um Campeonato Brasileiro, do qual pretendo participar.

O que eu acho importante no Shougi é que não apenas aprende-se a jogar, sendo que também se aprende valores ao longo de seu treinamento, algo que mestre Nakano conseguiu me passar durante os anos em que convivemos: respeito, paciência, perseverança, compreensão... O Shougi, como qualquer esporte, não é simplesmente um jogo: é, sobretudo, aprendizado constante.